Entrevista Exclusiva com Merab Dvalishvili para o UFC 333
Recentemente conversamos com o Embaixador da Stake e lenda do UFC, Merab Dvalishvili, que busca recuperar o Cinturão Mundial Peso-Galo do UFC no UFC 333, no sábado, 24 de outubro.
Merab falou sobre os seus 10 meses longe do octógono e como se manteve ativo nesse período, além do que podemos esperar quando ele enfrentar Petr Yan na épica trilogia entre os dois.
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Como tem sido o camp de treinamento?
O camp está ótimo, estou me sentindo bem, está tudo indo bem. Estou pronto, não vejo a hora de lutar.
Como tem sido se preparar para a mesma luta pela terceira vez? Isso torna o treinamento mais fácil ou mais difícil?
Lutar contra o Petr Yan é difícil, mas tive uma boa preparação e treinei muito pesado. Já lutei com ele duas vezes, mas esta é outra luta. Ele é o melhor do mundo agora e estou me preparando muito bem.
Já se passaram dez meses desde que os fãs te viram lutar. Como foi para você ter esse tempo de folga?
Na verdade, esse tempo de folga está sendo bom agora, porque acho que eu precisava desse tempo para me preparar e entender o que preciso fazer contra ele. Acho que dois meses entre as lutas não foram suficientes da última vez que lutei com ele.
Defendi meu cinturão contra o Cory Sandhagen, e o Cory tem um estilo diferente, então não teve problema. Lutei praticamente com o mesmo estilo, o mesmo plano de jogo, não mudei nada na minha preparação nem no camp, simplesmente fui lá e lutei com o Yan, e acho que daquela vez não funcionou para mim. Mas desta vez tive mais tempo, me mantive ocupado e estive lutando wrestling na RAF. Percebi muita coisa e agora tenho um bom camp de treinamento, com bons parceiros de sparring e treinadores ao meu redor. Está tudo indo bem e, como eu disse antes, eu costumava treinar pesado e agora estou treinando de forma mais inteligente.
Você sentiu que precisava de descanso depois de um ano tão movimentado?
Não, eu estava pronto para lutar de novo em março, era o que eu esperava, porque sei que nos disseram que a nossa luta não seria na Casa Branca em junho e que eu lutaria antes disso. Se eu precisava de descanso? Não, mas aproveitei o tempo de folga e acho que ele foi bom, porque tive mais tempo para entender o que preciso fazer na minha próxima luta contra o Yan.
Numa luta grande como esta, acho que preciso de alguns meses para me preparar. Não é questão de descanso - não me importo de trabalhar mais duro, nunca reclamo. Sou muito trabalhador e, nesses 10 meses, continuei trabalhando duro; como eu disse, estive na RAF, estava lutando wrestling e nunca parei de treinar.
Quão difícil foi, mentalmente, ser um campeão tão dominante e depois perder para o Yan na última luta? Foi difícil para você reagir a isso ou você voltou ao normal logo em seguida?
Perder o cinturão e não ser mais campeão não foi difícil. Sou lutador e quero vencer todas as lutas, seja disputa de título ou não. Perdi o cinturão, mas não é nada demais. Eu sabia que havia um risco ao voltar em dois meses, mas assumi o risco e, sim, perdi, mas tudo bem.
Tirando o cinturão, sei que sou melhor que o Yan, mas ele me venceu naquele dia. Quero corrigir isso na próxima luta e vou garantir que vou vencê-lo. Vou lutar pelo cinturão de novo, vou recuperá-lo e vai ter um gosto ainda melhor.
Você acha que, se vencer o Yan em breve, isso te consolida como o maior peso-galo de todos os tempos?
Não penso nisso, cabe a vocês, o público, discutir quem é o maior. Não me importo, só quero vencer os melhores caras do mundo, e estou enfrentando o melhor do mundo agora. Estou focado na minha próxima luta e só focado em enfrentar os melhores.
Há muitos bons lutadores na sua divisão. Se você conquistar o cinturão, quem gostaria de enfrentar em seguida?
Sim, é fácil falar agora, mas, se Deus quiser, quando eu vencer o Petr, vou enfrentar o Song Yadong em seguida. Nunca lutamos um contra o outro e acho que ele é o próximo melhor; todos sabemos que ele tem poder de nocaute. Vai ser uma grande luta, arriscada e desafiadora, mas estou pronto para ela.
Você viu Payton Talbott vs. Deiveson Figueiredo?
Sim, foi impressionante. O Talbott é um grande lutador e está ficando cada vez melhor. Ele é alto e jovem, luta em um bom nível e eu gostaria de enfrentá-lo um dia.
Depois da luta, o Talbott desafiou o Sean O’Malley. Como você acha que seria essa luta?
Seria uma boa luta, claro, mas não sei quem venceria, os dois são muito talentosos. Sean e Payton têm estilos diferentes, mas os dois são muito bons.
Falando do O’Malley: você acha que o UFC quer que ele seja o próximo desafiante ao título e, se for o caso, você aceitaria outra luta com ele?
Tenho que lutar contra quem o UFC me oferecer, não sou eu quem faz as lutas. Sim, posso dizer, como fiz da última vez, que o Petr merece lutar comigo. Se o UFC concordar comigo, eles vão oferecer essa luta. Então, primeiro tenho que recuperar o cinturão e, depois disso, quem o UFC me der — é contra quem vou lutar em seguida.
Você disse antes que agora está treinando de forma um pouco mais inteligente. Se conquistar o cinturão, quer voltar a ser tão ativo quanto era ou os fãs vão te ver a cada seis meses ou uma vez por ano?
Sim, quero voltar a ser ativo, porque é isso que eu amo fazer. Estou sempre treinando de qualquer forma, então quero continuar ativo.
Então não houve pausa nos seus treinos, foi ‘a máquina’ sem parar nos últimos 10 meses?
Como eu disse, não quero parar, nunca parei e não quero parar. A única parte difícil de lutar é cortar peso; fora isso, estou sempre em camp.
Você mencionou sua passagem pela RAF algumas vezes, e fez ótimas lutas lá. O que significou lutar na Geórgia na frente dos seus fãs?
Foi incrível. Acho que eu não lutava na Geórgia há uns 15 anos. Voltar e ter toda a torcida da casa me apoiando foi um ponto alto, foi um momento muito único e é uma das melhores lembranças da minha carreira.
Como essa lembrança se compara a conquistar o cinturão do UFC?
Ah, conquistar o cinturão foi 100 vezes maior, porque naquela luta [na Geórgia] eu sabia que ia vencer, mas o cinturão — meu Deus, aquilo foi uma loucura.
Talvez, se você conquistar o cinturão do UFC na Geórgia, isso supere tudo?
Ah, sim, com certeza!
Sobre o Henry Cejudo, você fez ótimas lutas contra ele - ele fez uma luta de boxe na semana passada, que venceu. Isso é algo que você consideraria quando se aposentar do MMA?
Então, quando eu me aposentar do MMA, vou continuar lutando MMA, e já fiz lutas de boxe antes. Tive quatro lutas de boxe amador antes de começar a lutar MMA profissionalmente. Boxe é difícil, mesmo que você pratique muito. Consigo fazer MMA, consigo fazer grappling ou jiu-jitsu, mas não boxe - mas nunca diga nunca. Sou lutador do UFC e quero lutar até os 50 anos.
Todos sabemos qual é o seu estilo de luta, sabemos o que você quer fazer, mas ninguém consegue pará-lo. O plano de jogo contra o Yan é o mesmo — wrestling agressivo desde o início?
Quero manter as coisas simples, quero quebrar a cara dele e tentar nocauteá-lo. Da última vez não deu certo, mas acho que desta vez vai dar.
Como é a sua parceria com a marca Stake?
Trabalhar com a Stake tem sido incrível, porque eles são muito profissionais. São ótimas pessoas, dão muito apoio e sou muito grato por trabalhar com a Stake. Este é o melhor patrocinador que já tive e sou muito grato por isso.
